Vazio, sofá, um quadro a esquerda. Reticências. O primeiro pedaço do sétimo bolo. Reticências. O choro materno ao telefone. Reticências. As risadas não compreendidas. As brigas presenciadas. Reticências. Reticências. Reticências ...
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Reticências ... A cada lembrança, mais ou menos reticências?
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Seriam, alias, essas lembranças verdadeiras, reais, ou seriam fruto da minha imaginação?
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Por que recordar? Por que o desejo de uma plateia? Por que insistir em recordar e relatar?
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Seria o desejo de viver em uma novela romântica? Não. Nada há de romântico nessa história.
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Seria, então, uma forma de dizer: "olha como eu sofri"? Não. Não.
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Não é isso.
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É mais provável que seja uma forma de tornar o passado real. Revivê-lo. Recriá-lo a partir dos fatos. Porque, afinal, tudo aquilo vivido não passou de uma grande mentira.
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Quer saber a real verdade? Nem eu mesma sei. Não sei os motivos. Não sei até que ponto os fatos são verdadeiros, reais.
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Sei apenas que não devo envolver ninguém nessa bolha dantesca.